segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Viver a Vida


   Nunca subi as montanhas do Himalaia
   Nem caminhei pela cinematográfica Paris
   Não passei o ano novo na Time Square
   Nem estive a bordo de uma gôndola em Veneza
   Conheço a aurora boreal  por fotos e vídeos
   Nunca saí do meu país

   Mas vivi pequenos-grandes momentos
   Já passei dias no meio de uma floresta
   dormi ao pé de uma cachoeira
   e meu despertador foram os pássaros

   Já vivi uma história de amor de fazer inveja aos estúdios Disney
   Cenas despretensiosas de uma comédia romântica: minha especialidade
   E o que dizer dos banhos de chuva no verão, muito bem acompanhada?
        
   Almoçar debaixo de uma árvore na beira do rio
   Viajar sozinha de moto para um lugar desconhecido
   Nadar enquanto chove
   Dançar como se nada mais existisse
   e descobrir  uma multidão te olhando quando aplaudem  no final
   Descobrir que é admirada por quem você também admira...

   Incomparáveis delicias da vida.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Luzia


          Caminhei por entre trevas
Uma pequena luz mostrou-me o caminho das Letras
A escrita me salvou diversas vezes: 
da solidão, da vontade de ferir, da rejeição, do absurdo da vida
O mundo colocou dor em meu coração,
Eu a expulso em versos
Dão- me espinhos, devolvo poesia
É pela palavra que a vida se torna suportável
Capturo morfemas, fonemas e outros emas para sobreviver
Ser devota dos vocábulos não foi meu querer
Foi obra da Luzia
Luzia me deu a luz
Luzia não me deixou na cegueira 
Luzia iluminou o mundo das Letras
Luzia luziu



À espera do amado



Quem é que chama?
Quem é que me espera?
Quem é você que eu desejo há tanto tempo?
Quem de nós reconhecerá o outro?
Não sigo a voz do coração, ela me engana sempre
Sigo o sussurro das palavras
Eu não sei como...


Enquanto você não vem
Estudo, estudo...
...estudo as artimanhas do amor
Não consigo aprender as lições
Talvez seja por isso o desencontro
Você deve estar no mestrado enquanto ainda estou pré vestibular
Matéria difícil de aprender!
                  Encontrar-te... Ainda mais.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Caminhando sobre palavras



Caminhei por entre trevas
Uma pequena luz mostrou-me o caminho das Letras
A escrita me salvou diversas vezes:
da solidão, da vontade de ferir, da rejeição, do absurdo da vida
O mundo colocou dor em meu coração,
Eu a expulso em versos
Dão-me espinhos, devolvo poesia
É pela palavra que a vida se torna suportável
Capturo morfemas, fonemas e outros emas para sobreviver
Ser devota dos vocábulos...
… para conjugar o verbo perseverar
Enquanto as dores do mundo quebrantam-me
As palavras me concedem instantes de paz.
Não há silencio que não termine
E entre um abismo e outro
Repouso na Palavra

Morte: companheira de vida






              A Morte é minha amiga de infância, por isso não a temo. Medo da morte é fazer coisas e pensar no perigo de morrer, ou deixar de fazer algo pensando na provável morte. Instinto de sobrevivência é quando diante do risco de morte, tento fazer algo para preservar minha vida, todo ser humano é dotado desse instinto de salvar a própria vida.
            Eu não tenho medo de morrer, mas meu instinto de sobrevivência continua intacto. Faço questão de diferenciar instinto de sobrevivência do medo da morte, pois sei que muitos confundem esses dois conceitos.
             Minha juventude foi vivida intensamente, nos meus termos, do meu jeito. Foi repleta de aventuras e loucas histórias, se fosse um filme o título seria “Curtindo a vida adoidado”, tive uma vida bem vivida apesar das muitas experiências ruins.
            Só comecei a ter juízo a partir dos 26 anos aproximadamente. Antes disso fiz tudo o que tinha vontade, tudo o que as oportunidades me permitissem, procurei realizar todas as minhas vontades conforme as circunstâncias.
            Não tinha uma imagem de futuro na minha cabeça, não fazia a menor ideia de como seria minha vida de adulta, sim, eu tinha sonhos, mas eles pareciam tão distantes que considerava-os quase inatingíveis.
            Justamente por não ter uma imagem de futuro definida,  arriscava minha vida. Tentei morrer diversas vezes, pois uma vida inconsequente é sempre uma tentativa de suicídio.
            Lembro-me de quando criança ter a sensação de morte muito próxima, como uma espécie de presságio, me avisando que teria uma morte trágica. Cresci pensando em como seria a minha morte, talvez um grave acidente ou por afogamento, já que quase morri afogada ainda pequena. Acho que até me acostumei com a ideia de morte.
            Ao mesmo tempo, eu sentia o Sagrado, sem saber quem era. Não entendia como as coisas funcionavam, e não sabia dar nome ao que sentia. Estar em frente ao mar era o momento de conexão com o Sagrado. Sendo agnóstica, orava em frente ao mar, ao deus desconhecido. Talvez por causa do quase afogamento, o momento em que me sentia mais perto da morte e também mais perto de Deus era em frente ao mar.
            Hoje não tenho mais uma vaga sensação, sei que morrer significa ir para os braços do Pai, a morte é o caminho de encontro com o Senhor. Já desejei morrer algumas vezes, e agora com mais consciência de que morte é estar ao lado Daquele que me criou, não desejo mais. Ainda espero Ele me buscar, mas não procuro mais a morte como antes, descanso em Seus propósitos.
            Após ter passado perto Dela algumas vezes, sim, “eu vi a cara da Morte e ela estava viva”  como Cazuza disse. Agora sei que “a hora, o local e a razão” pertencem ao Senhor.
            Ele me convenceu de que tenho que fazer muita coisa antes de partir.
            Se não fosse essa convicção de missão a cumprir teria tentado o suicídio quando perdi minha subjetividade num período nefasto.
            Sem saber onde, quando e como a morte virá. Aguardo de forma um pouco mais sábia, tentando cumprir o que Ele designou pra mim.
            E o futuro? Bem, o futuro me reserva inúmeras oportunidades de fazer o que o Mestre mandou, realizar o meu chamado e fazer a diferença na vida das pessoas.
            E quando finalmente eu partir, espero que minha vida não seja só um amontoado de histórias, mas inspiração para alguém.

            “Porque o morrer é lucro e o viver é Dele"

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Reciprocidade


           A ética da reciprocidade é um princípio moral, que se encontra em muitas religiões e culturas, conhecida também como a “regra de ouro”. Geralmente representada das seguintes formas: 
            “Trata todos os homens como gostarias que eles te tratassem”     ou
            “Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam.
            Considero um item fundamental nos relacionamentos. Uma engrenagem que serve de alimento aos afetos, quando não existe, os laços se enfraquecem até que se desfaçam por completo.
            Essencial em qualquer tipo de relacionamento. Você liga, visita, manda e-mail, envia mensagem, ajuda e deseja que a outra parte faça o mesmo. Não como moeda de troca, mas como um reforço do laço, como uma demonstração de afetividade. Uma forma de dizer: eu me importo com você.
            Quando era adolescente tinha o hábito de trocar cartões em datas especiais com meu namorado, depois que terminamos continuamos amigos e continuei enviando cartões de Natal e de aniversário todo ano. Até que a prática foi se tornando rara e acabou.
            Pode parecer coisa de Poliana, mas sempre achei que devemos devolver as gentilezas e atenção que recebemos. Sempre me esforcei por retribuir (nem sempre consegui) e achava uma desculpa quando não sentia a reciprocidade. Afinal cada um tem a sua forma de demonstrar atenção e nem sempre é mesma maneira que eu demonstro, a tal da linguagem afetiva.
            Minha última grande lição sobre esse conceito fez com que minha postura sobre a reciprocidade nos relacionamentos mudasse.
            Por causa de um acidente, fiquei presa em uma cama durante meses. Não pensava em nada além de voltar a andar, não existia espaço em minha mente para nenhum outro pensamento, nem para melindres, sério mesmo. Tudo ficou tão pequeno diante de um corpo que não obedecia minhas ordens.
            Foi nesse período que a reciprocidade deu um grito na minha forma de me relacionar. Na época tinha alguns relacionamentos que eram distantes, geograficamente falando. Atravessava a cidade toda para manter algumas relações de amizade, em alguns casos investia cerca de 2 ou 3 dias da semana me deslocando para me encontrar com tais pessoas.
            Ainda hoje não acredito que ouvi uma dessas pessoas dizendo ao telefone: “só não vou te visitar porque você mora longe.”
            Houve quem dissesse a mesma coisa em forma de ausência, sem usar as mesmas palavras, transmitiu a mesma mensagem: “você não é tão importante para que eu atravesse a cidade toda.”
            Isso só não causou uma profunda ferida porque minha prioridade não era relacionamentos, mas ter controle do meu corpo novamente. Mesmo assim fiquei chocada com esse tipo de comportamento.
            Continuo considerando a reciprocidade essencial, a diferença é que avalio melhor e a exerço na justa medida