sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Santidade & Castidade



Tem algo que me incomoda há tempos, mas não me sentia preparada para falar sobre o assunto, também não me sinto qualificada, mas criei coragem para expor meu posicionamento.
Sempre que vejo falarem sobre santidade, percebo que na verdade estão querendo falar sobre sexualidade e castidade, e o público-alvo é geralmente os jovens.
Vamos combinar que santidade não se reduz somente a castidade e que castidade não é assunto só de jovens?!
Para começar vamos definir o que significa cada palavra.
Santidade é a qualidade de quem é santo (simplificado).
Santo: Origem Hebraica קדוש “Qadash” ou “Kadosh” = sagrado, separado, consagrado. O conceito mais popular é “separado”, indica algo/alguém que é “separado” e “consagrado”.
Passagens bíblicas: 1ª Pedro 1:16. Filipenses 1:1-2. Gênesis 2:3.

Ser santo é ser separado do mundo, é fazer a vontade de Deus, é amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia. É ter fome e sede de justiça, é uma busca constante e verdadeira de seguir o Caminho, isto é, seguir Jesus. É viver e proclamar as Boas Novas.
Ser santo é refletir Cristo para o mundo.
Não devemos confundir santidade com regras morais, pois há a possibilidade de ser moral sem ser santo. E santidade vai além da castidade.
Infelizmente para muitos cristãos, santidade sempre está atrelada a questão sexual, como se o único critério para uma vida santa fosse viver a castidade, quando na verdade a sexualidade é um dos itens e não a totalidade de uma vida santificada. Reduzir santidade a questão sexual é no mínimo anti bíblico. Vivemos uma moralidade hipócrita nesse assunto e tratamos o tema com repúdio quando deveríamos tratar o cerne da santidade, um coração voltado ao Senhor.

Castidade: sf (latim; 'castitate').
1. Qualidade de casto, isto é, daquele que se abstém dos prazeres sexuais.
2. (Teol) Abstinência completa de todas as paixões desordenadas.
3. Pureza.
Percebam que abster-se dos prazeres sexuais é o primeiro e mais popular significado, no entanto o segundo significado (o teológico), diz respeito a abstinência das paixões desordenadas, o que isso significa?
Fomos criados segundo a ordem de Deus, e deveríamos viver em conformidade com Seus propósitos, mas o pecado original fez com que nossos desejos, vontades e inclinações não estejam alinhados com a ordem e os propósitos do Senhor, isto é, quando nossas paixões (vontades, desejos, inclinações) estão fora de ordem, pecamos.
Passagens bíblicas: Tito 2:12. Tito 3:3. Gálatas 5:24. 2 Timóteo 2:22. Romanos 7:5
Portanto segundo o conceito teológico, castidade vai muito além do sexo, tudo aquilo que nos domina, que escraviza, nos impede de ter uma vida santificada. Ser casto então significa a recusa em ser dominado por essas paixões fora da ordem do Criador.
A falta de domínio próprio é um empecilho para a santificação, seja na área sexual ou em qualquer outra.
“Ao contrário, o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, autodomínio. Contra tais coisas não existe lei.” (Gl 5, 22-23)

Castidade (abstinência sexual) não é sinônimo de santidade.
E sem castidade (abstinência de todas as paixões desordenadas) não é possível a santidade.

Que possamos entender melhor a relação santidade/castidade e buscar a santificação em todos os aspectos de nossa vida. Amém?

domingo, 20 de novembro de 2016

Terreno baldio ou Jardim?



Terreno baldio é um terreno abandonado ou sem dono. É caracterizado por falta de manutenção, mato alto, lixo ou entulho no local. Além de, por vezes, também serem encontrados animais como ratos e baratas. Também é comum a utilização indevida da área por marginais, como por exemplo para desova de cadáveres.
Um jardim é um espaço planejado, normalmente ao ar livre, para a exibição, cultivação e apreciação de plantas, flores e outras formas de natureza. A etimologia da palavra refere-se a "algo fechado", uma vez que teria origem no radical "garth", proveniente das línguas nórdicas e saxãs, que significa "cintura ou cerca".
Existem diversos tipos de jardins, que se diferenciam por suas características e funções. Jardinagem é a atividade de cultivar e manter um jardim. 

Na sua vida diária e nos relacionamentos você pode ser terreno baldio ou jardim. 
Quando você permite que as pessoas joguem seus lixos (frustrações, expectativas irreais) em você, ou quando as pessoas com as quais se relaciona não fazem manutenção do relacionamento fazendo crescer os matos (a distância, a falta de carinho e atenção) . Então existe a chance desse terreno baldio ter também animais como ratos e baratas (mágoas, ressentimentos). E por fim, esse terreno baldio terá cadáveres (gente que você matou em seu coração).
Você também pode ser jardim, ser uma pessoa aberta para a vida e para relacionamentos (jardim ao ar livre), mas ao mesmo tempo se preserve (como na etimologia da palavra "cerca"), isto é, não deixe qualquer um entrar, e não deixe que os convidados, pisem nas flores (seus sentimentos, valores). Cuide bem do seu jardim, mostre que tem dono (você) e que tem também um jardineiro (Deus). Aquele que não sabe diferenciar um terreno baldio de um jardim é um tolo cego. Não se perca tentando mostrar a diferença.
Apenas cuide do seu jardim, regue, pode, corte e você atrairá borboletas (pessoas que apreciam sua beleza e se alimentam do seu néctar).
Lembre-se a cada momento, a cada dia, em cada relacionamento você escolher ser terreno baldio ou jardim.
Eu escolho ser jardim!

sábado, 19 de novembro de 2016

A dor de existir


Na infância achava que viver era muito doloroso, ainda acho.
Refugiei-me nas Letras, em meus diários e nos livros. Escrever, ler, escrever; uma coisa como consequência da outra, e não me pergunte o que veio primeiro ou qual mais importante. Ler e escrever são as duas faces da mesma moeda.
Vivia num mundinho à parte, às vezes acho que era uma espécie de "autista"; socializava com todos, mas tinha/tenho um mundo só meu e nesse quase ninguém entra(va). Descobri que era o esconderijo perfeito para a dor, uma possibilidade de continuar existindo apesar do mundo cão à minha volta.
Meu diário era cheio de questões, procurava respostas nos livros, ainda procuro. As Letras me permitiram saber coisas das quais não saberia de outra forma.
A dor de existir era tão grande que parecia ser uma parte de mim como um membro defeituoso, por vezes ela extravasava. Então escrevia…. como forma de fugir da realidade, para continuar existindo.
A literatura me adotou e como dizem os filósofos a arte representa um paliativo para o sofrimento humano.
Essa dor que sabe-se lá de onde vem e não sei quando vai embora estava/está presente o tempo todo. Ao acordar, enquanto caminho para a escola/trabalho/faculdade... Continua a cada respirar.
Enquanto caminho só, sinto seu peso, esmagando minha alma.
Por vezes, me distraio e a esqueço. E por alguns instantes sou feliz, ah quem me dera!
Quando converso de forma profunda com uma amiga íntima. Quando contemplo a Beleza, são vislumbres de uma terra da qual sou turista.
E logo vem ela, a Grande Tristeza com seus dentes afiados me morder novamente. E arranca de mim a força que não tenho para continuar.
O mundo exige coisas que não possuo, talvez nunca possua. Mas desistir não é uma opção.
E a dor vai se metamorfoseando, ora vira vazio, ora melancolia, por vezes doença. Cada dia uma coisa. E nesses intervalos, entre brechas, ela me permite viver.
Quando a Grande Tristeza sai para um passeio, penso que já senti tudo o que tinha pra sentir, e de agora em diante serão apenas porções menores do que já vivi. Nada novo debaixo do sol, como diz o pregador.
Os monstros e fantasmas que me habitam saem para passear, vão tomar um banho de sol, assombrar outras almas.
E a vida que parecia lago, torna-se rio em direção ao mar.
E esse mar que nunca alcanço!
E essa vida como ferida em carne viva!
Sei que meu Redentor vive e a esperança é a âncora da minha alma.
Sei principalmente que não existe vida fora da Palavra.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Expectativas e frustrações


Já houve época em que acreditei no clichê “o importante é ser feliz”, hoje sei que o importante mesmo é cumprir a missão antes de partir.

A ingenuidade também me fez acreditar que deveria ser “boazinha”. Hoje sei que bondade não tem a ver com complacência burra, isto é, permitir ser manipulada e usada. Aprendi que a empatia é importante e que a dignidade também, e ainda melhor quando consigo unir as duas coisas.
Por que é tão difícil praticarmos uma verdadeira empatia e alteridade pelas pessoas que estão à nossa volta sem se perder no caminho?
É possível ser esvaziados de si na doação sem ser roubados em nossa subjetividade?
Como é bom encontrarmos alguém para se desnudar, compartilhar nossa história, criar laços de alma!
Mas, e quando as coisas não vão bem? Como é ouvir exatamente o que eu disse, só que agora contra mim? Ou ser ridicularizado por nossas peculiaridades?
Soltar ou não os nossos fantasmas correndo o risco de sermos assombrados depois?
Bem sei que não tenho controle sobre as ações de outras pessoas, afinal mal tenho controle sobre minhas próprias ações. “Pois o bem que quero, não faço; mas o mal que não quero, este faço.”
Cada pessoa é um universo único: teve outra vida, outras vivências, outros traumas, outras questões. Não posso e não devo compará-la com minha vida ou com qualquer outra pessoa/vida. A singularidade é uma das características mais belas do ser humano. Cada pessoa que conhecemos é um quebra-cabeça, nem por isso precisamos decifrá-la de imediato.
Às vezes ficamos tentando entender o que não é possível apenas pelo intelecto, é preciso acolher para que o relacionamento desabroche e só depois, talvez possamos compreender. Entrar no mundinho alheio leva tempo e exige paciência.
Interaja com empatia, ouça sem pensar em retrucar, sem dizer o que teria feito no lugar dela, ou naquela coisa parecida que aconteceu com um amigo seu. Deixe de lado suas opiniões, seus julgamentos de valor.
Se a pessoa pedir expressamente sua opinião, seja comedido; nem sempre conhecemos todo o enredo. Conhecendo-se aos poucos, as expectativas e frustrações podem diminuir.
As pessoas sempre reclamam das decepções. Frustramo-nos quando o outro não age da forma como esperávamos. No entanto, já parou para pensar nesse outro, no fardo que colocamos nele?
As pessoas não tem a obrigação de atender nossas expectativas.
Muitas vezes a decepção é só nossa, somos responsáveis pelo que sentimos. Ignoramos o direito de cada um ser o que é, exigindo que sua pessoalidade se enquadre em nossos critérios.
As expectativas nos aprisionam e coloca o outro em uma prisão também.
Se quiser ter certeza do fracasso de um relacionamento é isto, esperar que o outro seja/faça/aja/conforme esperamos.
Sinceramente, não quero que as pessoas esperem muito de mim, não sou perfeita nem boazinha. Sou egoísta por natureza, preguiçosa, entre tantos outros adjetivos negativos.
Falar sobre eles não é uma desculpa para agir mal, mas reconhecer a minha incapacidade de atender as minhas próprias expectativas que são grandes o suficiente para que eu venha também carregar as expectativas alheias.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.”